Rúben AlmeidaVIEW PROFILE →
Futsal: Portugal cai na final do Europeu 2026, mas mantém-se no topo do mundo
A seleção de Jorge Braz perdeu por 5-3 frente à Espanha na final do Europeu 2026 e ficou-se pelo vice-campeonato, travando o tri. Ainda assim, Portugal continua a ser uma potência mundial do futsal.
Longe do brilho mediático que envolve o futebol de onze, o futsal português tem construído, de forma discreta mas consistente, um dos maiores legados do desporto nacional. A seleção comandada por Jorge Braz voltou a mostrar essa força em 2026, ainda que o desfecho tenha ficado aquém do sonho maior.
O Campeonato da Europa de 2026 confirmou Portugal como uma das grandes referências da modalidade, mas também trouxe consigo o sabor amargo de uma final perdida. Depois de anos de domínio, a equipa das quinas viu escapar a oportunidade de fazer história com um feito inédito no seu palmarés europeu.
A final que travou o tricampeonato
O grande objetivo era claro: conquistar um terceiro título europeu consecutivo e cimentar de vez uma era dourada. No entanto, na final disputada a 7 de fevereiro, em Liubliana, na Eslovénia, Portugal foi derrotado pela Espanha por 5-3, num duelo intenso entre as duas maiores potências do continente.
Com este resultado, a seleção nacional ficou-se pelo estatuto de vice-campeã europeia, vendo o rival de sempre travar a ambição do tricampeonato. Apesar da desilusão do resultado final, o percurso da equipa ao longo do torneio deixou uma imagem sólida e competitiva perante os melhores do continente.
O caminho até à decisão passou por uma exibição de enorme autoridade nos quartos de final. Portugal goleou a Bélgica por 8-2, um resultado expressivo que confirmou o favoritismo da equipa e a colocou nas meias-finais com a confiança em alta para lutar pelo título continental.
Uma geração que se construiu para ganhar

Esta foi a quarta final da história de Portugal em campeonatos europeus e a terceira consecutiva, depois das presenças decisivas em edições anteriores. Nas duas mais recentes, em 2018 e 2022, a seleção sagrou-se bicampeã europeia, um domínio que colocou o país no centro do mapa do futsal mundial.
O ponto mais alto desta caminhada aconteceu em 2021, quando Portugal conquistou o título mundial na Lituânia. Essa vitória histórica representou a consagração definitiva de um projeto de anos e transformou a modalidade numa verdadeira fonte de orgulho para o desporto português.
O mérito da campanha de 2026 torna-se ainda maior quando se percebe o contexto em que foi realizada. O selecionador Jorge Braz não escondeu o orgulho no desempenho da equipa, sublinhando que Portugal chegou à final sem alguns dos seus habituais titulares, como Zicky Té e João Matos.
O futuro do futsal português
A ausência de figuras tão importantes obrigou outros jogadores a assumirem responsabilidades acrescidas, o que acabou por revelar a profundidade e a qualidade do plantel. Este fator é, em si mesmo, uma excelente notícia para o futuro, garantindo que a competitividade da seleção não depende de um punhado de nomes.
A rivalidade com a Espanha continua a ser o grande motor de crescimento da modalidade na Península Ibérica. Os duelos entre as duas seleções são sempre equilibrados e de altíssimo nível, funcionando como um autêntico teste à capacidade portuguesa de se manter no patamar mais elevado do futsal internacional.
Apesar de a derrota na final doer, a análise de fundo permanece extremamente positiva. Portugal continua a ser uma das seleções mais respeitadas e temidas do planeta, e a base de trabalho existente permite encarar os próximos desafios com legítima ambição de voltar a erguer troféus.
O grande desafio agora será transformar esta desilusão pontual em combustível para novas conquistas. Com uma estrutura sólida, um selecionador experiente e uma nova geração a afirmar-se, o futsal português tem todos os ingredientes para continuar a escrever páginas douradas na sua já rica história.






