Rúben AlmeidaVIEW PROFILE →
A idade de ouro do andebol: como Portugal se tornou uma potência mundial longe do futebol
Num país rendido ao futebol, outra seleção alcançou a elite mundial em silêncio. Com um quarto lugar histórico no Mundial, o andebol português vive a sua idade de ouro.
Em Portugal, quase tudo no desporto começa e acaba no futebol. Mas, longe dos holofotes, uma outra seleção nacional escalou discretamente até ao topo do mundo. A seleção portuguesa de andebol vive hoje, sem qualquer exagero, a idade de ouro da sua história, transformando-se numa autêntica potência mundial de uma modalidade que durante décadas viveu quase à margem da atenção do grande público.
Um quarto lugar histórico
O ponto alto chegou no Campeonato do Mundo de 2025, disputado na Noruega. Portugal terminou no quarto lugar, a melhor classificação de sempre do país em Mundiais, perdendo apenas o jogo do bronze frente à França por escassos 35 a 34. No caminho, a equipa derrotou gigantes tradicionais da modalidade como a Noruega, a Suécia, a Espanha e a Alemanha, parando somente diante da dominadora Dinamarca, nas meias-finais.
Uma geração de ouro
O segredo está numa geração especial, que combina juventude e experiência com uma média de idades de apenas 27 anos. Nomes como o guarda-redes Gustavo Capdeville, eleito melhor em campo num dos jogos, e sobretudo Francisco Costa, distinguido como o melhor jogador jovem de todo o campeonato, simbolizam este novo Portugal, com muitos atletas a brilhar nos campeonatos e clubes mais competitivos da Europa.
A mão de Paulo Pereira

Nada disto aconteceu por acaso. No comando técnico da seleção desde 2016, o treinador Paulo Pereira construiu este sucesso de forma paciente e estruturada, ao longo de quase uma década de trabalho. A solidez do projeto estende-se também às camadas jovens: a seleção sub-21 chegou igualmente à final do Mundial da categoria em 2025, um sinal claro de que o talento português não é um simples acaso passageiro.
O futuro e os desafios
O caminho, porém, continua exigente. Depois de um quinto lugar no Campeonato da Europa de 2026, a seleção prepara-se para os próximos grandes torneios com a ambição de se manter entre os melhores do planeta e de sonhar com feitos ainda maiores. O verdadeiro desafio será sustentar este patamar, garantir apoios e conquistar visibilidade num país onde o futebol continua a absorver quase toda a atenção mediática.
Seja como for, o andebol português já deixou para trás o rótulo de eterno azarão para se instalar, com mérito, entre a elite mundial. É a prova viva de que o desporto em Portugal brilha muito para além dos relvados de futebol, e de que uma geração determinada pode colocar todo um país a olhar, com orgulho renovado, para uma modalidade que finalmente reclama o seu lugar de destaque.






