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Longe do futebol, Portugal brilha na pista: três medalhas em Birmingham fazem a melhor campanha europeia de atletismo em dez anos

sports2026-08-28 · 4 min read · 0 reads

Nos Europeus de Atletismo de Birmingham 2026, Portugal conquistou três medalhas , a prata de Pichardo no triplo salto e os bronzes de Patrícia Silva e Fatoumata Diallo. Com um recorde de 55 atletas e o 14.º lugar por pontos, foi a melhor campanha lusa desde Amesterdão 2016.

Enquanto o país vive obcecado pelo futebol e pelos sorteios europeus dos seus três grandes, foi numa pista de tartan em Inglaterra que Portugal escreveu uma das páginas desportivas mais felizes do ano. Os Campeonatos da Europa de Atletismo, disputados em Birmingham, devolveram ao atletismo luso um protagonismo que há muito não tinha, e fizeram-no da melhor maneira possível.

Três medalhas e uma década de espera

O balanço final da comitiva nacional traduz-se num número que ganha peso histórico quando colocado em perspetiva: três medalhas conquistadas, uma de prata e duas de bronze. Não se trata apenas de três lugares no pódio, mas sim da confirmação de que uma geração inteira de atletas atingiu finalmente a maturidade competitiva ao mais alto nível continental.

Para dimensionar o feito, basta olhar para os livros de história recente da modalidade. Com estas três medalhas e um total de doze diplomas europeus, Portugal terminou a competição no décimo quarto lugar do ranking por pontos, a sua melhor classificação desde os Europeus de Amesterdão em 2016, encerrando assim uma longa década de resultados mais modestos.

Longe do futebol, Portugal brilha na pista: três medalhas em Birmingham fazem a melhor campanha europeia de atletismo em dez anos

Pichardo, o rei que resistiu à dor

No centro de toda a atenção esteve, como já é habitual, Pedro Pichardo, a maior estrela do atletismo português e uma das figuras incontornáveis do triplo salto mundial. Fiel ao seu estatuto, o campeão saltou para a medalha de prata, cravando uma marca de 17,76 metros que confirmou a sua enorme regularidade nas grandes competições internacionais.

A prata teve, contudo, um sabor agridoce e um mérito redobrado, pois Pichardo competiu em clara desvantagem física. O saltador acusou dores no tornozelo logo após o seu primeiro ensaio na final, uma lesão que o obrigou a abdicar das três últimas tentativas, defendendo a medalha praticamente num pé só e mostrando uma resiliência de campeão.

No topo do pódio ficou apenas o italiano Andy Díaz, que superou o português por trinta e nove centímetros para arrebatar o ouro. Aos trinta e três anos, e já como duplo vice-campeão europeu, Pichardo deixou claro que não pensa em parar, mantendo firme o objetivo de continuar a competir com vista aos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.

Os bronzes que confirmaram a nova geração

Se Pichardo representa a experiência e o palmarés consolidado, as outras duas medalhas apontam decididamente para o futuro e para a profundidade da atual seleção nacional. Patrícia Silva conquistou uma preciosa medalha de bronze na exigente prova dos 1500 metros, confirmando o excelente momento de forma do meio-fundo feminino português.

A completar o pódio luso surgiu Fatoumata Diallo, que subiu ao terceiro lugar na complexa e técnica prova dos 400 metros barreiras. Estas duas medalhas de bronze, conquistadas por atletas em fase ascendente das suas carreiras, são talvez o sinal mais promissor de toda a campanha, garantindo que o sucesso não depende de um único nome.

Para além do pódio: recordes e diplomas

A grandeza desta campanha, no entanto, não se mede apenas pelo metal conquistado, mas também pela dimensão e pela consistência de toda a delegação. Portugal deslocou-se a Birmingham com uma comitiva recorde de cinquenta e cinco atletas, um número que por si só ilustra o crescimento estrutural e a saúde da modalidade a nível nacional.

Entre os muitos desempenhos de mérito destacou-se Auriol Dongmo no lançamento do peso, que terminou num honroso quinto lugar da final com um registo de 19,05 metros. A atleta liderou ainda um pequeno pelotão nacional na mesma prova, ficando à frente das compatriotas Jessica Inchude, sexta classificada, e Eliana Bandeira, que encerrou na décima segunda posição.

Foi precisamente esta soma de finalistas e de lugares de honra que permitiu a Portugal escalar tão alto na tabela classificativa por pontos. Cada diploma conquistado longe das câmaras somou para o resultado coletivo e transformou uma modalidade muitas vezes esquecida no verdadeiro rosto do desporto nacional durante aquela semana de agosto.

Um recado para o país do futebol

O que fica de Birmingham é a prova de que o talento desportivo português é muito mais vasto do que as quatro linhas de um relvado. Enquanto o ruído mediático se concentra quase sempre nas transferências milionárias e nos jogos das competições europeias de clubes, foi um grupo de atletas da pista que colocou a bandeira nacional bem no alto do continente.

Com Pichardo a garantir que seguirá rumo a Los Angeles e com uma nova geração já a subir aos pódios, o atletismo luso encara o próximo ciclo com um otimismo renovado e plenamente justificado. A melhor campanha em dez anos não deve ser vista como um ponto de chegada, mas antes como a base sólida sobre a qual se poderá construir um futuro ainda mais luminoso.

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